O MAR E SUAS DIVINDADES

Entre tantas deidades, uma das mais famosas, com seu mito contado em diversas regiões, é a Sereia.
A forma mais conhecida é de origem grega, na qual inicialmente havia dois seres distintos: as sereias metade peixe, metade mulher; e as sirenas, mulheres-pássaros que atraíam os marinheiros com seu maravilhoso e hipnótico canto para uma morte certa no mar. Somente durante a Idade Média que as duas formas passaram a ser conhecidas como o mesmo Ser, com as características físicas das sereias e as habilidades das sirenas, com a adoção do nome das primeiras.
As sereias estão presentes nas histórias envolvendo Perséfone. Elas eram suas companheiras antes desta ter sido levada pela o Reino de Hades, o mundo dos mortos. Por isso, o canto das sereias também é considerado como um canto fúnebre e de anunciação da morte.
Poseidon (ou Posidon), deus grego dos mares, era filho de Cronos (deus do tempo) e de Réia (deusa da fertilidade). Seu palácio situa-se no fundo Mar Egeu e sua arma é o tridente, com o qual provoca maremotos, tremores de terra e faz brotar água do solo.
Afrodite, a deusa do amor e da sexualidade, também foi reverenciada na Antiguidade por sua forte relação com o mar, pois ela surgiu à partir das espumas do mar durante a batalha entre Cronos e Urano pelo domínio da Terra. Em meio à luta, Cronos cortou os órgãos genitais de Urano e os jogou no mar, e no contato da carne com a água formou-se uma espuma branca e dela nasceu Afrodite. Devido à esta especial ligação com o mar, a deusas era reverenciada por marinheiros na Grécia antiga, os quais pediam a sua proteção em novas viagens. Afrodite era reverenciada pelos romanos como sua deusa Vênus, que era a deusa padroeira de Roma, que em certa ocasião, para impedir que inimigos invadissem a cidade, a deusa usou seus poderes para bloquear o caminho deles com a água do mar.
Sedna, a deusa do mar dos Inuítes (esquimós), senhora dos animais marinhos, doadora da fertilidade, que retrata a trajetória mítica de uma jovem mortal passando por decepções afetivas e filiais, ao ser sacrificada pelo seu pai para que ele se salvasse. Ela representa o caos seguido pela abundância, pois ao mergulhar nas profundezas do mar, a jovem Sedna se transformou na mãe arquetípica fornecedora do alimento para o seu povo.
Iyemoja e Olokun, divindades iorubás. No Brasil, Iemanjá (Iyemoja) é considerada a Orixá mais popular e mais festejada em festividades públicas. Na África, Iyemoja tem origem nos termos do idioma iorubá “Yèyé Omó Ejá”, que significa “mãe dos filhos-peixes”. No Brasil recebe ainda os nomes de Janaína, Rainha do Mar, Senhora do Mar e Sereia do Mar. Filha de Olokun, senhor do mar, que é um Orixá que governa as profundezas do oceano, designado por Olorun para manter o equilíbrio com a Terra. Uma das maiores forças da natureza, essa energia ainda muito desconhecida é como o oceano, que oculta incontáveis mistérios.
Lir/Lear, do folclore irlandês, Lear é o deus do mar, considerado também o Senhor do Submundo, o Mundo dos Ancestrais, da Magia e da Cura. Lear era pai das crianças que foram transformadas em cisnes por causa do ciúme de sua madrasta Oifa, conforme conta-se no Ciclo Mitológico Irlandês, também conhecido como “O Destino dos Filhos de Lear”.

Mazu, deusa do mar no leste asiático

Mazu, também escrito Matsu, é a deusa do mar que protege pescadores e marinheiros e é invocada com a deusa que protege o leste asiático, que estão associados com o oceano. Com o nome chinês de Lin Mo Niang, ela é adorada amplamente em áreas costeiras do sudeste da China e regiões vizinhas. Segundo reza a lenda chinesa, Lin Mo Niang nasceu em 960, como a sétima filha de Lin Yuan, na Ilha Meizhou, Fujian. Ela não chorou quando nasceu, por isso o seu primeiro nome significa “menina silenciosa”. Segundo a lenda, o pai de Lin e seus irmãos eram pescadores e Lin usava roupas vermelhas enquanto estava na terra para guiar os barcos de pesca para casa, mesmo no tempo mais perigoso e cruel. Após sua morte, a família de muitos pescadores e marinheiros começaram a rezar em sua honra e por seus atos de coragem para salvar as pessoas no mar.
Existem ainda muitas deidades relacionadas ao mar e às águas em todas culturas, sem exceção.
A água do mar energiza e transforma, sendo este elemento muitas vezes presente em altares e cultos representando as divindades dos mares, invocando a sua proteção e mantendo vivas tradições milenares.

 

Apoiador: Equipe Mistérios de Órunmilá

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