SAGRADO CORAÇÃO DA TERRA


Escultura em resina, pajé indígena brasileiro com chocalho.

Associada ao universo transcendente e mágico, a música para a maioria dos povos indígenas brasileiros é utilizada em rituais religiosos, socialização, ligação com ancestrais, magia e cura. Está presente em festas comemorativas, sazonais, guerreiras, ritos de passagem e congraçamento entre as tribos.
Os instrumentos indígenas, do ponto de vista da sua utilidade, podem servir para a comunicação ou para funções propriamente musicais. Dessa forma, a obtenção do som entre os índios é uma mensagem sonoro-musical destinada a diversos fins.
Cada tribo possui seus instrumentos, que são utilizados de maneiras diferentes por diversas comunidades. Apesar de confeccionados basicamente com os mesmos materiais, apresentam particularidades, distinguindo-se entre si pela aparência, complementos, pormenores, estrutura e ornamentação, que refletem características próprias das culturas a que estão ligados.

 

 

O TAMBOR NATIVO

Entre os índios americanos se utiliza o tambor de couro animal para se conectar com o grande espírito e mesmo com os ancestrais.
Para muitas religiões asiáticas, quais sãos as ancestrais e origem do xamanismo, a música é uma maneira de criar elos com os deuses e os antepassados. O hinduísmo acredita, inclusive, que o tambor de Shiva gera uma frequência que cria a vibração do universo, a base de tudo. O TAMBOR bate como o coração humano e sem ele o mundo entraria em colapso.
A flauta Uruá é um dos instrumentos musicais considerados sagrados pelos povos indígenas e é mais conhecida por sua utilização na festa do Kwarup, no Xingu. Mas essa tradição já esteve ameaçada pela falta de matéria prima, o bambu que era usado em sua confecção.

 

O SOM QUE VEM DA FLORESTA

Tambores, chocalhos, flautas. Tudo está intimamente conectado entre os povos ameríndios, desde os habitantes do Alasca até o Sul da Patagonia Argentina, os povos originários, antes da chegada do Europeu, encantaram e continuam encantando com suas mais variadas danças e sons, ritmos diversos, complexos e línguas distintas, que ecoavam por matas, montanhas, serras e costas, bem antes da chegada do homem branco.
O índio está conectado com a natureza, por isso, imita, recria e acompanha toda temática da natureza e suas mais belas melodias naturais, que varia desde o chocalho da cascavel até o som da chuva reproduzida pelo pau da chuva.

 

Correspondente Roberto Marttini

A revista Mistérios de Órunmilá contempla os povos indígenas, originários, toda sua musicalidade, a magia que vem dos instrumentos e as cantigas que sobrevivem ao tempo. Falar de samba, forró e sertanejo sem mencionar os povos indígenas é o mesmo que ocultar a participação da musicalidade nativa nesses gêneros. A sociedade de forma geral, deve perdão à essa gente que faz parte do DNA do povo brasileiro. A cultural musical, instrumental e mágico religiosa desses povos deve ser tratada como patrimônio do cenário musical do Brasil e do continente americano como um todo. A musica faz parte da nossa essência, nós da revista, saudamos como parte de nós. “Anhum” (Obrigado!)

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