O RITUAL FÚNEBRE PROIBIDO DOS ÍNDIOS BORORO

As cerimônias funerárias dos Bororo representam um padrão específico de enterro secundário: os corpos dos mortos são enterrados envoltos em esteiras para serem posteriormente exumados (desenterrados) para a lavagem e decoração dos ossos, depois do que são colocados em cestos sepultados fora da aldeia.
O enterro secundário Bororo insere-se num conjunto complexo de outras práticas tais como danças, cantos, refeições comunitárias e destruição dos pertences dos mortos.
Cada morto é ritualmente representado por três sobreviventes, ou seja, um “representante” do finado, encarregado de dançar em sua homenagem, lavar e enfeitar os ossos do representado, e caçar um animal de desagravo, a fim de liberar do luto os parentes do seu morto; uma “mãe” ritual, parenta clânica próxima do finado que, juntamente com seu marido, o “pai” ritual, devem assumir pesadas obrigações cerimoniais, tais como chorar, cantar, cortar o próprio corpo durante os funerais; devendo o último confeccionar a cabacinha funerária, carregada pelo “representante” durante as danças e as caçadas religiosas. Ainda deve ser abatido e oferecido um animal de desagravo, de preferência um felídeo de grande porte, tal como uma onça-pintada, então o “representante” receberá a recompensa de algum enfeite de penas e um nome, ambos pertencentes ao clã do finado, que poderá usar a seu bel-prazer. O beneficiado passa também a assumir diversas funções sociais do seu morto, entre os quais a obrigação vitalícia de cuidar do seu casal de “pais” rituais, enviando-lhes a carne ou o peixe que lhe tiver sido enviado pelas “almas” (termo que, no caso, designa o grupo de caçadores, representantes dos finados da aldeia) até o dia em que lhe permitam as forças.
Os bororo entraram em extrema decadência nos anos oitenta por conta da proibição de seu funeral. Os Bororo são da região de Mato Grosso.

 

Colaborador: Roberto Marttini

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