Festa de Iemanjá, uma festa afro-brasileira

A Festa de Iemanjá no dia dois de fevereiro atrai milhões de fiéis e simpatizantes, às praias do Brasil.
A popularidade das comemorações de Iemanjá são impressionantes e vão além da data célebre e podem se estender até o dia 31 de dezembro, nas comemorações de final de ano.
A festa começou no litoral baiano, no ano de 1923, quando um grupo de pescadores insatisfeitos com o resultado da pesca, fizeram um “presente” (oferenda com arroz, frutas, flores etc.) para esta divindade do panteão africano lhes dessem fartura de frutos do mar. Afinal, o nome Iemanjá significa “mãe cujos filhos são peixes”.
Em Salvador, no dia 2 de fevereiro, celebram a maior festa do país em homenagem à Iemanjá, que vem provocando imitações no Rio de Janeiro e Recife. O motivo da data, conforme explica Pierre Verger, seria pela influência do sincretismo de Oxum com Nossa Senhora das Candeias que é celebrada nesse dia, no qual este outro Orixá relacionado às águas doces é presenteado antes do tradicional presente de Iemanjá no Dique do Tororó, sempre à meia-noite do início do dia das festividades, onde, segundo Edison Carneiro, eram feitas as oferendas a Iemanjá. A festa que teria surgido quando a celebração do presente de Iemanjá no Candomblé migrou do Dique do Tororó para o mar em 1924 e viria a substituir a tradicional Festa de Sant’Ana, que ainda é celebrada pelos pescadores.
Hoje em dia, as homenagens a Iemanjá começam pela madrugada, com a presença de devotos do Candomblé, da Umbanda e do Catolicismo colocam as ofertas e bilhetes com pedidos em balaios que serão levados para o alto mar. Esses balaios são levados por cerca de 300 embarcações, com o saveiro com a oferenda dos pescadores sempre à frente do cortejo. Independente de religião, os fiéis ou simpatizantes comemoram do mesmo jeito, levando flores, perfume, champanhe, velas etc.
As celebrações da Festa de Iemanjá também acontecem no Rio de Janeiro, onde no Candomblé a homenagem ocorre dia 2 de fevereiro, na Umbanda ocorre no dia 15 de agosto e em 31 de dezembro é festejada por todas as pessoas que comemoram a passagem do ano nas praias. Em todas as datas de comemoração, fieis e simpatizantes pulam sete ondas, acendem velas e colocam flores brancas em barquinhos, e os lançam ao mar.
A festa de Iemanjá no estado de São Paulo é feita em todas as praias do litoral paulista, no dia 2 de fevereiro no Candomblé, no dia 8 de dezembro pela Umbanda, e em 31 de dezembro por pessoas de várias religiões que querem homenagear Iemanjá.
O sincretismo de Iemanjá com Nossa Senhora dos Navegantes também espalha comemorações sincréticas por outros locais do Brasil. Em Porto Alegre (RS), a santa é a padroeira da cidade e no dia dois de fevereiro é realizada uma procissão de barcos pelo Rio Guaíba, quando o culto também é confundido pelo sincretismo com Oxum (por causa da água doce). Tais festas também ocorrem em Pelotas (RS), Navegantes (SC), Florianópolis (SC), entre outros lugares. Porém, em todas, sempre surge o inevitável sincretismo com o Orixá.

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