Especial Mãe Beata de Iyemanjá

O nascimento de beatriz, na beira do rio

Beatriz Moreira Costa, Mãe Beata de Iyemanjá, nasceu em 20 de janeiro de 1931, em Cachoeira de Paraguaçu, Reconcavo Baiano, filha de Mãe Maria do Carmo e Oscar Moreira, seus exemplos de vida.
O seu Bisavô nasceu no norte da Nigéria, na África, chegou na Bahia no sétimo Tombeiro. Foi vendido como escravo, mas nunca abandonou o Candomblé.
“Minha mãe estava pescando quando a bolsa dela se rompeu. A água foi tingida de sangue e a parteira veio correndo. Assim que eu nasci, ela disse que eu era filha de Exu com Iyemanjá.”
-Maria Beatriz

A AMADA MÃE BEATA DE IYEMANJÁ, DEIXA O SEU LEGADO

Beatriz Moreira Costa, Mãe Beata de Iyemanjá, escritora, atriz, artesã, ativista na defesa e preservação do meio ambiente, dos direitos humanos, educação, saúde, combatente do sexismo, LGBTfobia, o racismo e a intolerância religiosa. Deixa um legado para todo o seu povo, com a história de luta da sua vida.
“Enquanto estiver fisicamente aqui, terei esta força deles, porque sei que quando Olorum me chamar terei muito mais força para lutar.”
-Mãe Beata

MÃE BEATA é iniciada no Candomblé por mãe Olga de Alaketu

Mãe Beata foi iniciada no Candomblé em 1956, no terreiro Ile Maroiá Ladié, em Salvador, Matatu pela Iyalorixá Olga de Alaketu pata o Orixá Iyemanja. Fundou o terreiro Ile Omi Oju Arô em 1985, no bairro Miguel Couto, em Nova iguaçu, Rio de Janeiro. Aonde iniciou um grande trabalho de fortalecimento da cultura afro brasileira.
“Não existe branco no Brasil. Todos nós temos sangue negro e devemos correr atrás das nossas raízes”
-Mãe Beata

 

 

OS FILHOS DE MÃE BEATA

Aderbal, Adailton, Ivete e Doya com Mãe Beata

Mãe Beata tinha orgulho de ser negra, nordestina, mãe de quatro filhos biológicos (Aderbal, Adailton, Ivete e Doya) e de muitos filhos espirituais.
“Dei a luz pelo meu ventre e pelas minhas mãos. A verdadeira mãe não diferencia filho. O amor é o mesmo.”
-Mãe Beata

 

 

TERREIRO DE MÃE BEATA DE IYEMANJÁ, NA BAIXADA FLUMINENSE VIRA PATRIMÔNIO CULTURAL

O Ilê Omi Oju Arô (Casa das águas dos olhos de oxossi) recebeu o prêmio de patrimônio cultural, na 28° edição do prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade, promovido pelo instituto do patrimônio histórico e artístico nacional (Iphan).
O reconhecimento se deu pelo trabalho de preservação da cultura africana.
“Fiquei muito feliz. É um sinal de respeito ao legado dos nossos ancestrais e a nossa fé.”
-Mãe Beata

 

MÃE BEATA FALA: SOU NEGRA, SOU MULHER

Mãe Beata sempre a frente do seu tempo, fazia teatro, participava de grupo de folclore e se separou do marido em 1969 cansada do seu desmandos e machismos, em uma época difícil com muito preconceito pela mulher separada. Criou os quatro filhos com muita luta, enfrentou a sociedade sempre com muita dignidade, foi empregada doméstica, manicure, pintora, artesã, figurante de novela e costureira (Ofício pelo qual se aposentou.) Combateu o sexismo e o racismo. Sempre valorizou a mulher e o empoderamento da mulher negra. Era um exemplo e acreditava no potencial de todas as mulheres, (Participou de ongs femininas e palestrava sobre o feminismo.) Mãe Beata representava a mulher negra nordestina e do Candomblé
“Ninguém põe cadeado em minha boca e nem correntes em minhas pernas”
-Mãe Beata

 

Mãe Beata é anjo em Berlim, é embaixadora da paz por todo o mundo

Mãe beata na Coluna da Vitória em Berlim (Anjo Dourado)

Mãe Beata se destacou na luta contra o racismo e a intolerância religiosa, sendo nomeada pela ONU como embaixadora da paz.
Lutou contra o genocídio do jovem negro, e falavam aos jovens sobre o poder da comunicação e a liberdade traziada por Zumbi dos Palmares.
Desde criança Mãe Beata tinha o desejo de se vestir de anjo pois, aos 7 anos de idade a professora de Mãe Beata no Reconcavo Baiano falou para a pequena Beatriz: “Onde já se viu anjo preto?” o sonho da menina que queria participar da procissão da cidadezinha do seu vilarejo anos depois se concretizou e ganhou fama internacional.
“Eu me julgo uma mãe do mundo porque sou de Iyemanjá”
-Mãe Beata

 

ÚLTIMA ENTREVISTA DE MÃE BEATA antes de partir

Mãe Beata de Iyemanjá se emocionou com a situação atual do país e demonstrou não temer a morte (Onze dias antes de sua partida)
“Nós não morremos. Há uma continuidade de uma outra vida mais plena, com mais sabor e com mais serenidade”
-Mãe Beata, em entrevista

“Nós somos como um vidro de perfume, se uma essência cair, se quebrar, fica aquele aroma delicioso de capim, rosas, sem você saber… Nós somos espíritos, somos os Eguns, porque os nossos antepassados estão ali conoscos.”
-Mãe Beata, em entrevista

 

 

 

Mãe Beata é madrinha do afoxé Ómó Ifá

Mãe Beata apoiava as manifestações afro brasileira, movimentos de resistência do povo de matriz africana que ultrapassavam os muros dos terreiros e instituições. Os Afoxés.
Ao som dos atabaques, agogô e xequeres e embalada pela voz do padrinho, Ogan Bangbala, Mãe Beata foi condecorada madrinha vitalícia do Afoxé Ómó Ifá.
A sua alegria, bons conselhos, força e empoderamento foi fundamental para o Afoxé Ómó Ifá ter a sua presença para a criação desse movimento que visa a divulgação da cultura afro brasileira e na qual Mãe beata, representou a ancestralidade e tradição das religiões de matriz africana.
“O maior título que eu tenho é de ser negra, não tem comendadora que abafe. Se eu botar comendadora Beatriz Moreira Costa, ninguém sabe, mas se eu botar lá Mãe Beata de Iyemanjá, até no inferno vão saber.”
-Mãe Beata

 

Mãe Beata dança com Ogan Bangbala na feijoada de São Jorge do Afoxé Ómó Ifá

Mãe Beata participando do samba de roda do Afoxé Ómó Ifá

Ogan Bangbala e Mãe Beata recebendo os títulos de padrinho e madrinha do Afoxé Ómó Ifá

 

 

 

 

 

 

 

 

Mãe Beata atende ao chamado de olorum

Aos 86 anos, no dia 27 de maio de 2017, Mãe Beata de Iyemanjá atende ao chamado de Olorum, vai para o Orun, vira ancestral e deixa no Aiye o seu legado para todos os seus filhos nascidos do seu ventre, das suas mãos, das suas ideias e das suas condutas.
Em Nova Iguaçu, durante o ritual funebre de sepultamento do seu corpo se fez um mar de orfãos, estavam todos vestidos de branco representando o povo de matriz africana que caminhava no cortejo como súditos em agradecimento pela existência de sua rainha, das suas ideias, da sua vida e do seu legado deixado.
“Sou de uma religião em que o tempo é ancestralidade, a fruta só dá no seu tempo, a folha só cai na hora certa.”
-Mãe Beata

 

Governador do Rio de Janeiro decreta luto oficial e ALERJ FAZ HOMENAGEM PÓSTUMA À MÃE BEATA DE IYEMANJÁ

O Governador, Luís Fernando de Souza, decreta luto oficial de três dias no estado do Rio de Janeiro pela sua trajetória incansável dos Direitos Humanos e na luta pela cultura Afro-Brasileira de Mãe beata de Iyemanjá.
No dia 7 de Junho de 2017 que o plenário da assembléia legistlativa do Estado do Rio de Janeiro (ALERJ) homenageou, com a medalha Tiradentes, Mãe Beata de Iyemanjá, pela sua militância como liderança religiosa de matriz africana.
Os atabaques ecoaram em todo o salão e o povo de branco louvaram Iyemanjá.
A medalha Tiradentes é a mais alta condecoração concedida pela ALERJ. A homenagem foi uma iniciativa do deputado Marcelo Freixo (PSOL) e foi entregue aos filhos carnais da Iyalorixá.
A entrega dessa medalha pela luta de vida e ideais de Beatriz Moreira Costa, a nossa Mãe Beata de Iyemanjá, representa mais que o reconhecimento pelos seus feitos, é uma mudança no perfil socio político que reconhece a liderança de uma religião despreterida, perseguida e desrrespeitada (Mesmo em um estado laico) durante anos. Essa homenagem é uma esperança de igualdade entre todos os brasileiros e a certeza que a luta de Mãe Beata não foi em vão e terá continuidade através dos seus filhos e de todos os membros de matriz africana. ADUPÉ MÃE BEATA DE IYEMANJÁ, Patrimônio do povo brasileiro.
“Pra mim não existe nem um ontem nem um hoje, pra mim existe o eterno e eu sou a eternidade.”
-Mãe Beata

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

“Quando se trata da passagem de uma senhora de muita idade e tantas realizações como o caso da sábia Mãe Beata, não lamentamos a “morte” dela. na visão de Ifá ela conquistou e venceu na vida nos cabe exaltar todos os seus feitos e pedir para que nós também consigamos vencer na vida.
No Ifá a frase que resume esse pensamento diz: Ela venceu e cabe a cada um de nós vencermos também”
-Babalawo Sandro Fatorerá, presidente da revista e amigo de Mãe Beata

Fontes: alerj.gov.br / Istoe.com.br / mamaterra.wordpress.com / mapadecultura.rj.gov.br / extra.globo.com ileomiojuaro.com.br / livro: Mulheres incríveis de Elaine Marcelina / Edição n°00 da Revista Mistérios de Órunmilá

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