O CUIDADO NECESSÁRIO NO USO DAS PLANTAS

Desde os tempos mais remotos o homem se relaciona com a natureza, num processo de longuíssima duração que estabelece o conhecimento do uso das plantas enquanto alicerce para sua sobrevivência.

O saber presente em diversas humanidades que habitam o nosso planeta comumente estabelece relação entre a cura física com a cura espiritual. O mesmo vegetal utilizado na promoção da saúde de alguém poderá ser a causa da sua doença.

O povo brasileiro foi constituído por povos pertencentes a diferentes elementos civilizatórios tais como os africanos e indígenas, que dispõem de profundo conhecimento acerca do uso das plantas medicinais.
O presente artigo se dedica em abordar o tema referente ao necessário cuidado que devemos ter na utilização das plantas na promoção de nossa saúde.

O conhecimento construído há milênios por diversas humanidades nos aponta para alguns conceitos que devem ser respeitados, quais sejam: a diferença entre o remédio e o veneno pode ser a dose, o bom diagnóstico da doença remete aos princípios ativos presentes nos vegetais que devem ser administrados no paciente, não se deve usar uma espécie vegetal interruptamente e devemos cultivar, manipular, armazenar e administrar o uso dos vegetais com muito critério.

Algumas espécies vegetais podem oferecer riscos à saúde. Muitas delas são comuns em jardins e quintais de muitas residências do nosso país. A seguir elencamos algumas delas, senão vejamos:

1 – Mamona (Ricinus communis)
Esta planta é encontrada em todo país, contendo grande quantidade da toxina ricina. Uma semente in natura de mamona é capaz de causar grandes danos à saúde humana, “a ingestão de algumas sementes trituradas pode causar séria intoxicação que se manifesta por náusea, dor de cabeça, diarreia, desidratação, hipotensão, perda de consciência e, dependendo da dose ingerida, morte.”( LORENZI, Harri. Plantas Medicinais no Brasil. Nova Odessa, SP: Instituto Pantarum, 2002.).

2 – Tento (Abrus precatorius)
Planta também conhecida como jequiriti, olho de pombo e olho de cabra, “suas sementes são extremamente tóxicas se partidas ou mastigadas, a ingestão de uma única semente pode ser fatal” (LORENZI,2002).

3 – Trombeta (Datura stamonium L.)
Esta planta é encontrada em diversas regiões do Brasil, “A ingestão de qualquer parte dessas plantas pode ocasionar sintomas de envenenamento do tipo atropônico, caracterizado por dilatalção da pupila, diminuição da sudorese, da salivação e da micção (emissão natural de urina), além de alucinações de extraordinária violência, febre alta e perda da consciência seguida da morte” (LORENZI,2002).

4 – Oleandro (Nerium oleander L.)
Também chamada de espirradeira, suas folhas e flores são altamente tóxicas, causando sonolência, fortes dores abdominais, pulsação acelerada, diarreia, vertigem, falta de ar, irritação da boca, náusea, vômito, aborto e morte.

5 – Copo-de-leite (Zantedeschia aethiopica)
Esta planta está presente em muitos jardins, mas pode causar grandes danos à saúde se ingerido ou posto em contato com as mucosas. Os sintomas causados pela toxidade desta planta são inchaço de lábios, boca, língua e faringe, sensação de queimação, náuseas, vômitos, diarreias, aumento da salivação, dificuldade de deglutição e asfixia decorrente do inchaço do sistema digestório que impede a passagem de ar pelo sistema respiratório.

6 – Comigo-ninguém-pode (Dieffenbachia picta)
Presente em muitas casas brasileiras por sua exuberante beleza. Todas partes desta espécie podem ocasionar danos à saúde. Oferece maior risco à saúde quando ingerido, causando inchaço do sistema digestivo, obstruindo o sistema respiratório, podendo ser fatal. Em contato com os olhos, esta planta ocasiona dor, inchaço, sensibilidade à luz, lesões na córnea, conjuntivites, lacrimejamento e espasmos nas pálpebras. Em contato com a pele, a comigo-ninguém-pode pode originar dermatites, queimaduras e o surgimento de bolhas.

7 – Tinhorão (Caladium bicolor Vent.)
A ingestão do tinhorão pode ocasionar sensação de queimação, inchaço de lábios, boca e língua, náuseas, vômitos, diarréia, dificuldade de engolir e asfixia. Em contato com os olhos pode provocar irritação e lesão da córnea.

8 – Bico de papagaio (Euphorbia pulcherrima Willd).
Esta planta pode trazer danos a nossa saúde. A seiva leitosa desta planta pode acarretar lesão na pele e mucosas, inchaço de lábios, boca e língua, queimação e coceira, em contato os olhos provoca irritação, lacrimejamento, edema das pálpebras e prejuízo à visão, sua ingestão pode causar náuseas, vômitos e diarréia.

9 – Taioba brava (Xanthosoma violaceum)
Em várias regiões do país a taioba (Xanthosoma violaceum) é utilizada enquanto alimento, valendo chamar atenção para a toxidade da planta de mesma família conhecida como taioba-brava (Xanthosoma violaceum) por sua alta propriedade tóxica. A maior diferença entre a taioba e a taioba-brava se apresenta na cor do talo, a primeira tem é verde e a segunda vermelha ou roxa.

Em contato com a pele é possível o surgimento de queimação e vermelhidão. Quando ingerida a planta pode causar inchaço dos lábios e língua, dificuldade para engolir, sensação de falta de ar, dor de barriga muito forte, náuseas, vômitos e diarreia.

Concluímos afirmando que a partir do momento em que identificamos as reações provocadas pela toxidade das plantas devemos buscar o atendimento por um profissional de saúde o mais breve possível.

Colaborador Emanoel Campos Filho, professor de história, mestrando no PGHC UFRJ, pesquisador do ERARIR/LHER/IH/UFRJ) e ogan do Yle Ashé Efon.

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